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Podcast Papai Atípico: Fabyano e o tornar-se pai

Podcast Papai Atípico: Fabyano e o tornar-se pai

Fabyano e eu somos homens cujos olhares sobre ter filhos eram opostos: nele havia dúvida e em mim certeza. Então nossas histórias convergiram na paternidade. Nesse ponto de contato, lugares foram trocados. Eu me transpus para os questionamentos e ele para a determinação.

Nesse sexto programa, Fabyano me levou para caminhar por sua vida. Fomos às praças, parques e jardins tão visitados nos outros cinco episódios, mas também presentes em sua vizinhança. Muitos deles, ainda ignorados por meu íntimo, tiveram seus portões abertos a convite de meu entrevistado. Ouvir seus medos e sua transformação foi como receber dele um punhado de terra fértil, mudas de flores, tintas para os bancos, brinquedos novos e ventiladores gigantes para varrer as nuvens e permitir à luz colorir a desolação.

Tornar-se pai é um processo muito individual, como qualquer outra questão. Cada um leva seu tempo e seu jeito. Buscamos relatos e fórmulas para replicar experiências alheias, primeiro por não sabermos como nos desenvolver e, segundo, por receio de nos embrenharmos dentro de nós, através de uma jornada solitária, pois somos os únicos capazes de adentrar em nosso labirinto de sentimentos e transformá-lo em um lar. 

As histórias vem para ser guia e esperança. São quadros pendurados em nossas paredes. Retratos de possibilidades a serem atingidas e vivências conquistadas, mas também de desconjunturas e inviabilidades estabelecidas; cada um de nós é uma pintura abstrata onde cores tomam formas despretensiosas e curiosamente harmonizadas. E a real beleza dessa exposição está em seu caráter de comunhão. Em não ser sobre o pessoal, e sim sobre o alheio. Em ter a sua experiência individual se entrelaçando à do próximo.

Assim, que a convicção do Fabyano contagie minhas inquietações e que consigamos todos encontrar o pai que há em nós.

 

Mundo Adaptado
Guilherme Bucco
Guilherme Bucco Seguir

Editor de vídeo, começou a compartilhar as reflexões de sua paternidade atípica, como forma de compreender as mudanças em sua vida com a chegada de Dora, sua filha, que teve hipóxia no nascimento e tem epilepsia de difícil controle.

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